Tudo aquilo que sabemos ou julgamos, afeta o modo como vemos as coisas. Quando se ama, é impossível dizer em palavras, só o ato de fazer amor pode dizer temporariamente.
A nossa visão está em atividade constante, sempre captando momentos, imagens. Com isso percebemos que também podemos ser vistos, se podemos ver uma colina, obvio que da colina também podemos ser vistos.
Uma imagem significa um momento de recriação, uma recordação. As fotografias nem sempre são um mero registro, o modo de ver do fotografo reflete-se na sua escolha do tema.Embora todas imagens corporizem um modo de ver, a nossa apreciação também depende do nosso modo de ver.
No principio as imagens foram feitas para mostrar algo ou alguém ausente, mais tarde a imagem tornou-se um registro de como X tinha visto Y.
Quando uma imagem é apresentada como obra de arte, o modo como as pessoas olham para ela é condicionado por uma série de pressupostos que se ligam à: Beleza, verdade, gênio, civilização, forma, estatuto social e etc..Quando vemos uma imagem, situamo-nos nela, se víssemos a arte do passado, nos colocaríamos na historia.
O historiador da arte receia esse juízo direto
A caracterização das obras de Hals nos seduz, quase nos induzindo a crer que conhecemos a personalidade dos homens e mulheres retratados.As pinturas atuam em nós porque aceitamos o modo como Hals viu as mulheres sentadas, aceitamos na medida em que corresponde nossa própria observação das pessoas, dos gestos,dos rostos,das instituições.
A convenção da perspectiva, que existe exclusivamente na arte européia e foi estabelecida no Alto Renascimento, centra toda a composição no olhar do espectador. É como um feixe luminoso de um farol, com uma única diferença, em vez de ser dirigido para o exterior, são as aparências que vêm para dentro.
A máquina isolou aparências momentâneas, ao fazer isso, destruiu a idéia de que as imagens não tinham tempo, mostrou que a noção de passagem do tempo era inseparável da experiência do visível.
Para os impressionistas o visível já não surgia aos homens por forma de ser visto, para os Cubistas, o visível deixa de ser aquilo que se vê a vista despreparada e passa a ser o total das vistas possíveis a partir de pontos à volta da pessoa ou objeto a ser descrito.
A máquina fotográfica modificou também o modo de ver quadros pintados antes da sua invenção. No inicio, as pinturas eram partes integrantes da construção para que tinham sido executadas. Quando a máquina fotográfica reproduz um quadro, destrói a singularidade de sua imagem, dando resultado na multiplicação de muitos significados.
A obra original ainda é de certo modo, única. O que nos impressiona, não é a questão de ser única e sim por seu significado se encontrar naquilo que é, não o que nos parece ser.
O valor de um objeto depende da sua raridade, confirmado pelo preço que atingiu o mercado, porem uma obra de arte é superior ao comércio. Seu preço de mercado é emplicado por um reflexo de seu valor espiritual. As obras de arte são discutidas e apresentadas como se fossem relíquias sagradas. Consideradas artes quando sua árvore genealógica pode ser certificada.
A religiosidade beata que hoje envolve as obras de arte originais, e que depende, em última análise, da sua cotação no mercado, substituiu o que as pinturas perderam quando a fotografia as tornou reprodutíveis. A sua função é nostálgica.
É inevitável que uma imagem seja utilizada para muitas finalidades diferentes e que a imagem reproduzida, ao contrário da obra inicial, possa ser emprestada a todas elas.
Quando um quadro é reproduzido por uma máquina de filmar, torna-se inevitavelmente material para o argumento do realizador. Sabendo-se que um filme se desdobra no tempo e a pintura não.
É difícil definir exatamente como as palavras modificaram a imagem, mais aconteceu. Agora a imagem ilustra a frase. Uma reprodução, além de fazer as suas próprias referencias à imagem do seu original, torna-se, por sua vez, o ponto de referência de outras imagens.
Os processos de reprodução são usados politicamente e comercialmente para negar o que sua existência torna possível, porém, as vezes as pessoas, individualmente, usam-nas de outras formas.
As pinturas originais são quietas e silenciosas, deste sentido todas as pinturas são contemporâneas.
A idéia da inocência tem dois lados. Quando se recusa participar numa conspiração, fica-se inocente dela. Ser inocente pode ser o mesmo que permanecer ignorante. A opção não é entre o natural e o cultural, mas sim entre uma abordagem total da arte que procure relacioná-la com todos os aspectos da experiência e a abordagem de meia dúzia de especialistas que são os bons da nostalgia de uma classe social em declínio.
A experiência da arte foi isolada do resto da vida- precisamente para poder exercer seu poder sobre ela. Mais tarde o isolamento da arte tornou-se social. Os modernos processos de reprodução destruíram a autoridade da arte e fixaram as suas imagens, a fim de as reproduzir, a qualquer custo.
A arte do passado já não existe mais como existiu em outros tempos, sua autoridade se perdeu. Surgiu em seu lugar, uma linguagem de imagens.Agora o que importa é saber quem usa essa linguagem e com que idéia .
Um povo ou uma classe que é segregada do seu próprio passado é menos livre de escolher e agir como povo ou como classe que outros que haviam conseguido situar-se a si próprios na historia. Esta é a única razão pela qual toda a arte do passado se tornou agora uma questão política.
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